Não falei e não quero falar com ninguém sobre o que se passou... Mas, isso significa que tenho uma pergunta e que só a posso fazer a ti... Sou só eu que desde 3ª feira ando desassossegada a pensar no que se passou? E a fantasiar com o que se passaria a seguir? Não consigo afastar a memória dos teus lábios a desafiarem o controlo que procurava aplicar nos meus, a tua respiração no meu pescoço a provocar-me arrepios, a minhas pernas entrelaçadas nas tuas e o corpo todo a condensar-se num jogo húmido que pedia para entrares em mim... Queria sorver-te os lábios num beijo denso e quente, queria tirar-te a roupa e sentir a tua pele na minha, roçar os meus seios na tua boca, sentir os meus mamilos a desfazerem-se no rodopio da tua língua e a prenderem-se no intervalo dos teus dentes, queria sentir-te a ficar duro na minha boca, queria vir-me de prazer nos teus dedos, queria sentir-te a penetrar-me, acolher-te em mim até estremecer de prazer... e começar outra vez e outra vez e outra vez até aplacar a cordilheira agreste do desejo que me consome...
quarta-feira, 22 de agosto de 2012
Não falei e não quero falar com ninguém sobre o que se passou... Mas, isso significa que tenho uma pergunta e que só a posso fazer a ti... Sou só eu que desde 3ª feira ando desassossegada a pensar no que se passou? E a fantasiar com o que se passaria a seguir? Não consigo afastar a memória dos teus lábios a desafiarem o controlo que procurava aplicar nos meus, a tua respiração no meu pescoço a provocar-me arrepios, a minhas pernas entrelaçadas nas tuas e o corpo todo a condensar-se num jogo húmido que pedia para entrares em mim... Queria sorver-te os lábios num beijo denso e quente, queria tirar-te a roupa e sentir a tua pele na minha, roçar os meus seios na tua boca, sentir os meus mamilos a desfazerem-se no rodopio da tua língua e a prenderem-se no intervalo dos teus dentes, queria sentir-te a ficar duro na minha boca, queria vir-me de prazer nos teus dedos, queria sentir-te a penetrar-me, acolher-te em mim até estremecer de prazer... e começar outra vez e outra vez e outra vez até aplacar a cordilheira agreste do desejo que me consome...
quinta-feira, 23 de outubro de 2008
Retornar
Os meros sinais da tua tua presença já me fizeram tremer o corpo, já me secaram a boca, já me plantaram uma pedreira no estômago... Fui percebendo que o epicentro do tsunami físico que semevas em mim, aos poucos, se deslocava, afrouxando a nefasta devastação que me provocavas... Meses passaram sem a intempérie de te vislumbrar, até que na quinta-feira lá estavam os teus indicíos, lá estavas tu... Mas, em mim, não houve uma nuvem que se formasse, não se discerniu uma brisa, não se apagou o sol que agora brilha e me aquece. Sorri, depois, quando percebi de que é que se tratava... a memória do corpo dissipara-se, finalmente.
Quase jurava que tinhas avistado o bom tempo que em mim fazia ou que engenhosamente terias encontrado este espaço de confissões e, por isso, após meses de hirto silêncio frio, decidiste assolar-me com um contacto (por sms, como tu e os adolescentes tanto apreciam...). Mas, não, nada disso. É só a culpa, que tarda, mas não falha, é só o retorno de uma lembrança torta que transportas, é só a porta entreaberta que, por teimosia, não fechaste. Faz frio, não é? Que pena não te poder ajudar, mas essa corrente de ar já não me incomoda, já não estou do outro lado à tua espera...
segunda-feira, 10 de março de 2008
Degraus na longa escada da compreensão
Às vezes, dizias-me, “gostava de te ter conhecido antes, gostava de te ter conhecido quando estava bom”. Essa frase… essa frase plantava em mim sensações tão díspares, sentia-a, ora como um elogio, ora como um insulto. Às vezes, dava-lhe algum seguimento, imaginando como é que seria? E a verdade, é que foi pela forma como agora caminhavas até mim que permiti que te aproximasses. Eu dizia-te, e dizia-me vezes sem conta, que essa condição nada influenciava… Mas mentia… Essa condição perturbava tudo, porque essa diferença me deslumbrava, turvando e ocultando tudo o resto e distraindo-me de ti. Porque era a prova visível da aprendizagem que tu inevitavelmente terias realizado, o catalizador irrefutável para a mudança que tu terias operado (transformação em que, na generalidade, eu nem sequer acredito ser possível, porque, no essencial, as pessoas não mudam). Tentava imaginar-te antes e (especulativamente, bem sei) não era capaz me ver a nutrir mais do que um leve desprezo pela tua bela aparência oca e desprendida. Ao antes-de-ti eu já tinha sido apresentada e do antes-de-ti eu também já tinha descoberto que nada haveria a esperar.
Mas, agora, tu deslizavas até mim, corporizando uma realidade que me era tão estranha e que eu não ousava questionar. Esse era o reduto justificativo onde te apoiavas agora para te afastares, como sempre o fizeras, embora invocando outros pretextos.
E eu, ainda com tanto para aprender, a achar que já tinha percebido tudo… E, eu tola, a achar que não me poderias magoar, não tinhas como… Tu não tinhas pernas, mas sim asas para me proteger como um anjo. Tu não tinhas maldade, apenas sofrimento e gratidão no olhar. Tu conduziste-me ao engodo primordial nas pesquisas que fiz, a fim de te perceber melhor… a tua deficiência é emocional e não tem rampas à vista.

Foto : Sem Título, Rosalina Afonso
quinta-feira, 6 de março de 2008
Perenidades temporárias
Não me desfiz do vestido que me ofereceste num aniversário que parece já tão longínquo. Depositei-o num saco, destinei-o à lixeira com os demais detritos que a vida de todos os dias produz. Mas, ainda não fui capaz, porque esse não foi um vestido de todos os dias. Foi o vestido do dia em que me presenteaste, provando saber o meu tamanho de cor. Provando saber que eu te queria, sabendo-me mulher, sabendo-me tua, sabendo-me o corpo medido nas unidades das tuas mãos. Foi o vestido de um jantar com velas que te preparei com o desvelo de uma dona-de-casa, que já não é dona de si. Foi o vestido que, com dúvida, afastavas metodicamente para confirmar o que sabias desde o princípio: o meu corpo sedento do teu.
Ainda não me imagino a aprender outro corpo. E para o fazer tenho de manter esse vestido. Aguardando o dia em que ele me permita eleger novas mãos. Aguardando o dia em que ele já não se sinta traído e desrespeitado porque uma outra dúvida o aparta. Aguardando o dia em que seja possível inscrever novas marcas, provas irrefutáveis do fim… de um capítulo, porque Fukuyama estava errado, a História não termina.
Foto: "Rugas" de Maria Isabel Baptista
quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008
Enquanto me saio de ti
Queria saber-te coxo do coração, como eu fiquei. Só queria ter percebido que te importei, só queria ter comprovado que não ficou tudo igual, depois de eu ter passado por aí.
Tudo isto para dizer que ainda me dói. Tu não sabes, não tens como, porque quando decidi retomar a rotina que nos cruza, resgatei o rosto que queria que visses: sereno e imperturbável, sorridente e inacessível. E, às vezes, penso que encaras o meu comportamento como uma vingança, a pior, porque é uma das mais doces… e penso que te obstinas nesse silêncio fechado, vingando-te também...
Foto: Num sótão de memórias vãs, de Paulo César
quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008
Irritações que ainda não passaram
quarta-feira, 30 de janeiro de 2008
SMS versão telefonema (a "chaga" continua)
segunda-feira, 28 de janeiro de 2008
Chorar e esquecer-te
Questionas se ainda quero conversar contigo (é, de facto a única coisa que se aproveita, porque é mesmo uma pergunta e, sinceramente, não tenho resposta) .
Aproveitas para afirmar que gostavas de conversar comigo (olha que bem! Levamos cromos e figurinhas para trocar?).
E rematas de uma forma abrutalhadamente cobarde e cruel: "Mas tu é que sabes..."
quinta-feira, 24 de janeiro de 2008
Fim interdito
Andas desde Dezembro neste chove não molha do "ai-hoje-não-posso-porque-deixei-a-avó-ao-lume" e do "ei-esta-rede-é-mesmo-uma-merda-não-é-que-a-tua-chamada-não-ficou-registada" até ao "não-respondi-à-sms-fofa-porque-o-reumático-me-impede-de-mexer-os-dedos".
E eu, que não sou parva (embora às vezes pareça) fui tomando nota das tuas atitudes em cima dos meus sentimentos. Ora, sucede que, tal como num bloco de notas finas, o que escrevemos numa folha acaba por passar para a seguinte. E o que tu fizeste ficou inscrito no que sentia.
A dada altura, entre uma fungadela e outra, fui pensando, "péra lá, isto não é a merda de um filme, que não vejo o realizador na sala a tentar apanhar o meu melhor ângulo de baba e ranho e nem é a porra dum livro para depois se arrumuar na prateleira. É a minha vidinha e, aqui, não curto por aí além o dramalhão!".
E num lento, mas progressivo, assomo de lucidez, fui percebendo que eu não quero estar com quem não deseja estar comigo. É tão simples quanto isso (eu disse simples, não disse indolor, hein!). É que não quero MESMO! Acho notáveis as histórias que contas sobre as mulheres que apenas te pediam para te deixares estar ali, ao lado delas, que apenas te pediam permissão para te contemplarem, para te tocarem.
Eu não sou assim, desinteressada, condescendente, boa pessoa. Sou mesmo egoísta no que respeita a sentimentos - quero-me muito, tal como tu deverias querer. Mas, não queres, certo? Ou melhor dizes que queres, mas não ages como quem quer, nunca agiste. A única diferença é que a minha fé desapareceu. Porque é de fé que se trata. Eu nunca tive a prova de que tu quisesses (nem poderia, nunca se pode ter esse comprovativo), mas acreditava militante e fervorosamente que querias. Até que essa crença, essa fé se esboroou.
Já não acredito. E isto não aconteceu por decreto. Ando há semanas a tentar perceber este processo e a descobrir o que é que quero. Até que decidi e uma vez decidido, optei por me comportar como gente crescida e comunicar-te que "não estou feliz, não estou feliz há muito tempo e não acredito que possa vir a sê-lo contigo, por isso, acabou". Telefonei-te e disse-te, "preciso de falar contigo" e tu já sabias, porque imediatamente, com voz grave e séria respondeste "sim, amanhã ligo-te e conversamos".
É curioso como constantamente se dilata a nossa perplexidade e capacidade de sermos surpreendidos. Achei que já te tinha percebido, que já me tinha desiludido, que já tinha dado por terminado o período de esperar por ti, achei que teria a última palavra, mas não... aguardo, ainda aguardo esse telefonema...
sexta-feira, 30 de novembro de 2007
Até quando te morder
Tu falaste mais. Tu falas sempre mais. Já avançámos do ponto em que nos encontrávamos há 4 meses atrás. Mas é sempre com uma cautela cirúrgica que te pronuncias sobre o grau do nosso envolvimento. "Quero que me incluas mais" disse-te a dada altura. "O que é que isso significa?". Significa que não quero ficar à parte nos momentos em que te procuras resolver. Abraças-me. Digo-te que "Gosto muito de ti e quero estar mais vezes contigo". Dizes, "Eu sei" e novo abraço surge entre nós.
Separámo-nos e pedi-te "Confia em mim". Não sei o que é que isso significa, mas desenvolvi a infundada a teoria de que te é difícil acreditar na possibilidade de teres alguém ao teu lado que não se irá ausentar repentinamente e que não ousas ainda pensar na possibilidade de amar e de te deixares amar.
Espero ter a força de te acariciar, beijar, sondar e sentir até te deixares morder como um fruto.
quarta-feira, 28 de novembro de 2007
abismos de começo e de fins
Um bom encontro é de dois
É só isso
Não tem mais jeito
Acabou, boa sorte
Não tenho o que dizer
São só palavras
E o que eu sinto
Não mudará
Tudo o que quer me dar
É demais
É pesado
Não há paz
Tudo o que quer de mim
Irreais
Expectativas
Desleais
É pesado
Mesmo, se segure
Quero que se cure
Dessa pessoa
Que o aconselha
Há um desencontro
Veja por esse ponto
Há tantas pessoas especiais
Um bom encontro é de dois
(Vanessa da Mata e Ben Harper)
Não acredito em destinos e coincidências, mas vacilo quando acontecem e se concretizam inexplicavelmente. Um bom encontro é de dois e não nos temos encontrado, se calhar é só isso, uma espera desmesurada de ti, talvez tenha acabado e seja altura de dizer boa sorte...


